Sorocaba Cresce Mais Rápido do que Sua Infraestrutura
- ImobiTimes

- há 2 dias
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Em Sorocaba, o crescimento imobiliário chegou antes do planejamento. O resultado é uma cidade que constrói mais do que consegue sustentar.

Sorocaba aprovou 424 alvarás para condomínios residenciais em 2025. Nos primeiros meses de 2026, já foram 289. Os números, levantados pela Secretaria de Planejamento e Desenvolvimento Urbano (Seplan) via sistema Aprova Digital, traduzem um ritmo de expansão que a infraestrutura urbana da cidade ainda não acompanha e que exige atenção antes que o problema se aprofunde.
O que cresce junto com os prédios
Para a Associação dos Engenheiros e Arquitetos de Sorocaba (Aeas), cada novo empreendimento representa muito mais do que unidades habitacionais entregues. Ele gera demanda por água, esgoto, energia, drenagem, transporte coletivo, escolas e unidades de saúde. "Precisamos fazer com que a infraestrutura não seja apenas uma resposta ao crescimento, mas que seja planejada antecipadamente para recebê-lo", afirma Alessandro Nogueira, diretor da entidade.
A mobilidade é o ponto mais visível. Quando diferentes empreendimentos usam os mesmos corredores viários, o impacto se multiplica. A drenagem urbana segue o mesmo padrão: mais impermeabilização do solo significa mais velocidade e volume nas águas pluviais o que exige macrodrenagem, reservatórios de contenção e manutenção contínua dos sistemas existentes.
O problema do impacto acumulado
A pressão sobre a infraestrutura não é uniforme. Regiões com mais terrenos disponíveis absorvem loteamentos, condomínios e construções verticais em ritmo mais acelerado. Um empreendimento isolado pode ser compatível com a capacidade de uma avenida ou de uma rede de esgoto. Vários empreendimentos na mesma área, porém, mudam o cenário. "O impacto acumulado precisa estar cada vez mais presente no planejamento urbano", diz Nogueira.
O raciocínio é direto: o planejamento precisa projetar como determinada área estará quando todos os empreendimentos aprovados estiverem completamente ocupados não apenas quando o alvará é concedido.
O que a prefeitura responde
A Seplan afirma que acompanha o crescimento por meio da atualização da legislação e das ferramentas de gestão. Cita a revisão do Plano Diretor de Desenvolvimento Físico Territorial Sustentável, conforme a Lei 13.123/25, e o uso de medidas mitigadoras executadas pelos próprios empreendimentos como contrapartida revitalização de praças e pavimentação de vias são exemplos mencionados.
Para a Aeas, contudo, essas medidas pontuais não substituem um planejamento integrado. Nogueira defende que habitação, mobilidade, drenagem e saneamento sejam planejados em conjunto, e que os investimentos em infraestrutura, sempre que possível, precedam ou acompanhem a ocupação não cheguem depois.
O desafio de Sorocaba não é impedir a expansão urbana. É decidir onde e como ela vai ocorrer, e garantir que os investimentos públicos estejam prontos para sustentá-la quando os prédios forem entregues.




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