Selic em queda abre janela para investidores no mercado imobiliário

Com a taxa básica em 13,75% ao ano e projeções de queda até 10,5% em 2028, analistas apontam que o ciclo favorece tanto a compra direta de imóveis quanto instrumentos financeiros como CRIs e FIIs.

O Copom reduziu a Selic para 13,75% ao ano na reunião de 16 de setembro de 2026. O Boletim Focus, divulgado dias antes, projeta nova queda para 12% em 2027 e 10,5% ao final de 2028. Para especialistas, o início de um ciclo de afrouxamento monetário muda o ambiente para quem avalia o setor imobiliário seja pela via do imóvel físico, seja por instrumentos financeiros lastreados nesse mercado.
Acesso ao crédito mais barato estimula demanda e valoriza ativos
Paulo Gala, professor de economia da FGV, afirma que o imóvel tem histórico de resiliência contra a perda de poder de compra em períodos de inflação ou juros elevados. Com taxas em queda, o efeito mais direto é a redução do custo de financiamento, que amplia o número de compradores elegíveis ao crédito. A Abrainc calcula que cada 1 ponto percentual de alta na taxa básica retira cerca de 1,3 milhão de pessoas do mercado potencial o raciocínio inverso vale para os cortes. O Banco Safra projeta encerramento da Selic em 2026 entre 13,25% e 13,50%, com trajetória para 11% até meados de 2027.
CRIs e FIIs permitem exposição sem adquirir imóvel diretamente
Juliana Mello, sócia-diretora da Fortesec, aponta que investidores podem se expor ao setor imobiliário sem comprar um imóvel, por meio de Certificados de Recebíveis Imobiliários (CRIs) e Fundos de Investimento Imobiliário (FIIs). Esses instrumentos buscam rentabilidade semelhante à dos proprietários de ativos físicos. Em ambiente de juros mais baixos, a atratividade relativa desses produtos em comparação à renda fixa tende a aumentar, o que historicamente impulsiona os preços das cotas.
Valorização depende de fatores além da taxa de juros
Gala destaca que o crescimento populacional e a urbanização sustentam a demanda estrutural por moradia e espaços comerciais. A maioria dos contratos de locação prevê reajuste anual por índices de inflação, o que garante renda passiva com ajuste real. Expansão de infraestrutura, novos comércios e melhoria de segurança nas regiões também elevam preços de venda ao longo do tempo. Para quem avalia o momento de entrada, a combinação de Selic em trajetória de queda com ativos imobiliários ainda precificados em cenário de juros altos pode representar uma janela desde que o comprador ou investidor avalie também fundamentos locais e liquidez do ativo.




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