Rio Desafia os Juros e Lança 25 Mil Imóveis em 12 Meses
- ImobiTimes

- 28 de ago.
- 2 min de leitura
O mercado imobiliário do Rio de Janeiro lançou 25 mil unidades nos 12 meses até junho de 2026. Os juros estão altos. A demanda não parou.

O número é da Ademi-RJ e resume um ciclo que vem ganhando força desde 2024, quando os lançamentos saltaram 42% no ano, para 21,2 mil unidades. Em 2025, o ritmo desacelerou em volume, mas o valor geral de vendas (VGV) dos lançamentos chegou a R$ 16,5 bilhões alta de 28%. O mercado carioca não está crescendo apesar dos juros: está crescendo junto com eles, sustentado por uma combinação de fatores que vai de mudanças urbanísticas ao boom do turismo.
Plano Diretor abriu o tabuleiro
A revisão do Plano Diretor de 2024 é o pano de fundo regulatório do ciclo. As novas regras facilitaram projetos residenciais na Zona Norte, no Centro e na Região Portuária, desbloquearam a produção de estúdios proibidos por mais de 30 anos e criaram incentivos à reocupação de edifícios pelo programa Reviver Centro. Para Gabriel Pecly, da Balassiano Engenharia, a legislação "destravou alavancas" que estavam presas havia décadas.
O Minha Casa, Minha Vida responde por uma parcela relevante do movimento. Seus juros subsidiados ficam imunes às oscilações da Selic, o que protege a demanda no segmento popular mesmo com a taxa básica em patamar elevado. A Cury lançou oito empreendimentos no Rio em 2026, totalizando 5,4 mil unidades em bairros como Centro, Ramos, São Cristóvão e Piedade. A Tenda projeta crescimento de 30% no volume de lançamentos no ano, com projetos em São Cristóvão, Cascadura e Tomaz Coelho.
Estúdios e hotelaria convergem
Em junho de 2026, um terço das unidades lançadas no Rio eram compactas. A tendência reflete dois movimentos que se reforçam: a demanda habitacional por imóveis menores próximos ao transporte público, e o crescimento do turismo, que pressiona o mercado de hotelaria e de aluguel por temporada.
O Brasil recebeu 9,3 milhões de turistas estrangeiros em 2025, alta de 37% sobre o ano anterior e recorde histórico da Embratur. Dos 9,3 milhões, 2,2 milhões desembarcaram no Rio. Esse fluxo sustenta investimentos como os da Glória Participações que acaba de adquirir o Praia Ipanema, na Avenida Vieira Souto, para instalar um hotel de ultraluxo e a marca Be.in.Rio, do Opportunity Imobiliário, que já lançou 11 residenciais de estúdios em endereços estratégicos da Zona Sul e prepara mais cinco.
O ciclo é seletivo, não indiscriminado
Executivos do setor são cautelosos ao descrever o aquecimento. Thiago Lima, da JGP Real Estate, classifica o momento como "seletivo": localização e qualidade do produto determinam quem cresce e quem fica para trás. A escassez de terrenos em Ipanema e Leblon empurra o alto padrão, enquanto a Zona Norte e o Centro absorvem o volume popular e os projetos corporativos.
Os edifícios de escritórios da Brookfield no Rio seis torres, entre elas o Ventura Corporate e o Edifício Manchete operam com ocupação agregada de 89%, reflexo de uma demanda que começa a transbordar do residencial para o corporativo. O Rio não está em alta de maneira uniforme. Mas está em alta.




Comentários