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Quando o Mercado Desacelera, Vender Só Metragem Deixa a Imobiliária para Trás

Foto do escritor: ImobiTimes
ImobiTimes
há 1 hora
2 min de leitura

No primeiro semestre de 2026, o alto padrão vendeu 39% menos unidades e lançou 53% menos e um imóvel nesse segmento leva hoje 18 meses para ser vendido em São Paulo, contra sete meses no Minha Casa, Minha Vida.



Uma reportagem do Estadão publicada em 10 de outubro mostrou incorporadoras paulistanas comprando casas antigas, restaurantes e até um pet shop para montar terrenos em bairros como Itaim Bibi, Jardim Paulista e Jardim Guedala. O objetivo: lançar prédios com poucos apartamentos ou com clube privado de serviços. Os exemplos falam por si. A Unacorp juntou 15 casas perto da Faria Lima para erguer um edifício de oito andares com apenas 14 unidades, todas acima de R$ 7 milhões com condomínio médio previsto de R$ 8 mil. A Meta Incorporadora negociou com cerca de 30 famílias para erguer um empreendimento com quadras, spa e restaurantes, com acesso limitado a cerca de 300 famílias. Como resumiu o arquiteto Fernando Forte ao jornal: “É uma equação de valor agregado, e não de escala.”


Alto padrão lança menos e leva mais tempo para vender


O contexto importa. Os dados da Brain Inteligência Estratégica citados na reportagem são diretos: o alto padrão vendeu 39% menos unidades e lançou 53% menos no primeiro semestre. Um imóvel nesse segmento leva hoje em média 18 meses para ser vendido em São Paulo, contra cerca de sete meses no Minha Casa, Minha Vida. A aposta na diferenciação acontece justamente num mercado mais lento, em que o comprador tem tempo e opções e, tendo tempo, ele não olha só o valor do metro.


Quatro atitudes que separam quem fecha de quem só apresenta


Se até quem constrói para o público de alto padrão está vendendo privacidade, serviço e experiência, o recado para a imobiliária que trabalha com o imóvel do dia a dia é claro e não se trata de luxo. A primeira atitude é entender o cliente antes de mostrar o imóvel: como a família vive, do que não abre mão, o que aceita trocar. Quem faz essas perguntas apresenta menos opções e tem conversas melhores. A segunda é explicar o diferencial real com a região junto escola, deslocamento, comércio, silêncio e o jeito do prédio, contados com fatos concretos, sem adjetivo vazio.


A terceira é colocar o custo total de morar na mesa desde o início. A própria reportagem detalha o condomínio médio de R$ 8 mil do projeto da Unacorp e a mensalidade estimada do clube da Meta. Em qualquer faixa de preço, condomínio, IPTU e serviços entram na conta do comprador mostrar isso logo evita surpresa e dá segurança à decisão. A quarta é preparar o corretor para a venda consultiva de verdade: roteiro de atendimento, acompanhamento após a visita e o hábito de registrar o que o cliente disse, para não recomeçar do zero a cada contato.


Quando o ciclo de venda se alonga, essa disciplina pesa ainda mais. Sai na frente quem acompanha bem o cliente ao longo do processo, não apenas quem tem o imóvel na vitrine. A lição da reportagem do Estadão é simples: em mercado mais lento, vender valor deixa de ser diferencial do luxo e passa a ser o que mantém a imobiliária relevante.

 
 
 

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