Confiança Recorde no Mercado Imobiliário Mas 93% Têm Dificuldade para Comprar
- ImobiTimes

- 12 de ago.
- 3 min de leitura
O Índice de Confiança do Mercado Imobiliário atingiu o maior patamar da série histórica na pesquisa Loft/Offerwise. O otimismo, porém, não tornou a jornada mais fácil: juros altos, entrada difícil e preços acima do orçamento travam a maioria dos compradores.

O índice de confiança do mercado imobiliário chegou a 5 pontos na Onda 6 da pesquisa Loft/Offerwise empatando com a Onda 3 como o maior valor da série, numa escala que vai de -7 (baixa demanda, alta oferta) a +7 (alta demanda, baixa oferta). O indicador reflete mais intenção de comprar e alugar do que oferta disponível no mercado.
O otimismo, porém, não simplificou a jornada. Entre os compradores ativos, 93% relatam alguma dificuldade no processo e 31% já desistiram de fechar negócio em algum momento. Os obstáculos têm denominador comum: dívidas ou compromissos financeiros (24%), preços acima do orçamento (24%), dificuldade em juntar a entrada (22%), juros altos no financiamento (22%) e renda insuficiente para aprovação de crédito (21%).
O gap entre compradores e vendedores bate recorde
Uma das explicações para o travamento aparece no descompasso entre o valor que vendedores pedem e o que compradores topam pagar. Na faixa de imóveis de até R$ 350 mil, esse gap chegou ao maior patamar da série: 49% dos compradores buscam imóveis nessa faixa, mas apenas 34% dos vendedores ofertam nesse intervalo diferença de 15 pontos percentuais. Na faixa entre R$ 801 mil e R$ 2 milhões, o gap também avançou 9 p.p. em relação à onda anterior, igualmente o maior já registrado.
"Vendedores ainda não ajustaram totalmente a expectativa de preço à realidade do crédito mais caro, e é esse descompasso que explica boa parte das desistências", afirma Fábio Takahashi, gerente de dados da Loft.
Por que as pessoas compram e quem compra
A esmagadora maioria dos compradores busca moradia, não investimento: 70% pretendem comprar para uso próprio, e 54% estão comprando o primeiro imóvel. O valor médio que o comprador de moradia gostaria de pagar, no consolidado das seis ondas, é de R$ 559 mil.
Os dois principais motivadores são deixar de pagar aluguel (39% no consolidado) e construir patrimônio (34%). Na Onda 6, os dois motivos aparecem tecnicamente empatados pela primeira vez 32% cada, sinal de que o peso financeiro do aluguel e o desejo de acumular patrimônio estão pesando de forma parecida na decisão.
Como o consumidor pesquisa
Sites e aplicativos de imobiliárias são o principal canal de pesquisa (56% no consolidado). As redes sociais funcionam mais como vitrine do que como canal de negociação: o comprador médio usa três redes para pesquisar Instagram (69%) e Facebook (64%) lideram, mas apenas 32% se sentem confortáveis em iniciar uma negociação por esses canais, contra 41% que relatam desconforto.
Locação: inquilinos querem pagar menos
O aperto financeiro também aparece no lado do aluguel. A parcela de inquilinos que espera pagar menos do que paga hoje chegou a 49% na Onda 6 salto de 9 pontos percentuais em relação à onda anterior. Quem aceitaria pagar o mesmo valor caiu para 18%. O resultado ampliou o gap entre locadores e locatários, especialmente na faixa entre R$ 1.000 e R$ 2.000 mensais, onde a diferença chegou a 23 p.p.
A pesquisa foi realizada com 1.403 respondentes em São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Porto Alegre, Brasília e Goiânia, entre 17 de abril e 8 de maio de 2026.




Comentários