Bets Contra a Casa Própria
- ImobiTimes

- 29 de ago.
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O cliente que chega hoje a uma construtora chega mais endividado do que antes. Para o CEO da maior incorporadora popular do Brasil, parte da culpa é das apostas esportivas online.

Eduardo Fischer, CEO da MRV&Co, foi direto na 23ª Convenção Secovi-SP, realizada em São Paulo na última quinta-feira: o avanço das bets está afetando a capacidade das famílias de comprar imóveis. O diagnóstico não é sobre moral é sobre orçamento. Quem aposta retira recursos que poderiam ir para entrada, parcela ou reserva de emergência.
Um problema dentro de um problema maior
Fischer faz questão de contextualizar: as apostas não são a causa isolada do desequilíbrio financeiro das famílias brasileiras. Elas se somam a um quadro que já inclui endividamento elevado e condições macroeconômicas pressionadas juros altos, inflação que corrói a renda e comprometimento crescente do salário com dívidas preexistentes.
O ponto é que as bets adicionam mais uma camada de pressão sobre um orçamento que já está no limite. E quando a renda disponível encolhe, a decisão de comprar um imóvel que exige planejamento de médio e longo prazo é a primeira a ser adiada.
O comprador de imóvel é o mesmo consumidor do varejo
A lógica do executivo é simples: o mercado imobiliário não opera em isolamento. O mesmo comprador que financia uma geladeira, paga aluguel e mantém contas básicas é quem deveria estar acumulando entrada para um apartamento. Quando esse orçamento é drenado seja por apostas, seja por qualquer outro consumo impulsivo a conversão de interesse em venda concreta despenca.
Para Fischer, o tema já passou do limite do debate setorial. As bets deveriam ser tratadas como questão de saúde pública, com impacto que atravessa o varejo, o crédito e o mercado imobiliário. O setor não controla a regulação do setor de apostas mas sente os efeitos diretos no bolso do comprador.




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