Selic cai para 14,25% pela terceira vez seguida e financiamento imobiliário deve sentir o efeito antes do esperado
- ImobiToday

- há 16 horas
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Por trás do corte previsto está um alerta inflação de 5,3% e R$ 200 bilhões em gastos extras no ano eleitoral deixam pouco espaço para a Selic cair muito mais em 2026

O Banco Central cortou a Selic em 0,25 ponto percentual nesta quarta-feira (17), levando a taxa básica de juros a 14,25% ao ano a terceira redução consecutiva, em decisão amplamente antecipada pelo mercado financeiro. O movimento confirma a trajetória de queda dos juros, mas o espaço para novos cortes começa a se estreitar.
O Focus já não aposta em queda forte
O relatório Focus, que reúne as projeções de instituições financeiras compiladas pelo BC, prevê a Selic encerrando 2026 em 13,75%. Há, porém, analistas mais pessimistas, que apostam em um piso de 14% patamar que, antes da decisão desta quarta, alguns já consideravam o último corte do ano.
Inflação e gastos eleitorais travam o ciclo de queda
Mesmo com o acordo inicial para o fim da guerra entre Estados Unidos e Irã reduzindo parte da pressão externa, a inflação para 2026 já está contratada em torno de 5,3% no acumulado do ano. Soma-se a isso uma estimativa de R$ 200 bilhões em gastos adicionais do governo em ano eleitoral fator que analistas apontam como gatilho para juros mais altos por mais tempo.
Incorporadoras sentem o peso do crédito caro
Para construtoras e incorporadoras, juros nesse patamar dificultam a viabilidade financeira de novos projetos e pressionam companhias com endividamento mais alto. O efeito se soma a um segundo problema com a Selic elevada, aplicações de renda fixa continuam competitivas e de baixo risco, disputando espaço com a poupança fonte historicamente relevante de funding para o financiamento imobiliário de classe média e alta.
Poupança ainda resiste, mas saída acumulada preocupa
A caderneta de poupança registrou em maio o segundo mês consecutivo de captação positiva, mas o saldo acumulado de 2026 permanece negativo, com saída de R$ 29,2 bilhões volume cerca de 25% menor que o registrado no mesmo período de 2025. Se a perda de atratividade da poupança se confirmar como tendência, o efeito prático recai sobre o comprador: entradas maiores para viabilizar o financiamento.
A Selic em queda é boa notícia para quem financia um imóvel, mas o ritmo desacelerado do corte e a pressão inflacionária sugerem que o custo do crédito imobiliário ainda vai demorar para aliviar de forma significativa.



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