Recorde de Intenção, Mas a Classe Média Escolhe o Usado
- ImobiTimes

- há 2 dias
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A intenção de compra de imóveis chegou a 52% o maior nível histórico da série da Brain Consultoria. Mesmo assim, a demanda não se converte em vendas de lançamentos para famílias de renda média: são elas que estão movimentando o mercado secundário.

A intenção de compra de imóveis no Brasil subiu 9 pontos percentuais acima da média histórica registrada desde 2019. O índice chegou a 52%, segundo a Brain Consultoria, mesmo com a Selic acima de 13% desde o início de 2025. O desejo de comprar existe. O que falta, para uma parcela relevante do mercado, é um produto acessível para concretizá-lo.
O resultado aparece nas estatísticas de crédito: no primeiro semestre de 2026, 70% dos 160 mil financiamentos habitacionais concedidos pelo SBPE a pessoas físicas foram destinados a imóveis usados, segundo a Abecip. Em São Paulo, as vendas no mercado secundário cresceram 31% no acumulado até maio, conforme o Creci-SP. Março registrou alta de 50% em relação a fevereiro, com concentração de negócios na faixa de R$ 500 mil a R$ 800 mil.
Por que os lançamentos ficam fora do alcance
A lacuna entre oferta e demanda da classe média não é acidente. Terrenos caros, insumos mais caros e crédito elevado tornam os projetos de alto padrão mais atrativos para as incorporadoras. Os lançamentos voltados para faixas de preço mais baixas concentram-se em estúdios e unidades compactas que não atendem famílias que buscam dois dormitórios e mais metragem.
Para quem precisa de espaço e custo-benefício, o imóvel usado entrega o que o novo não consegue. Metragem maior por preço semelhante ao de unidades novas menores sem contar que, no caso de compra na planta, o comprador ainda arca com aluguel durante os anos que antecedem a entrega das chaves.
A Faixa 4 e o tempo do mercado
A faixa 4 do Minha Casa, Minha Vida, criada em 2025, atende famílias com renda bruta de até R$ 13 mil e imóveis de até R$ 600 mil. O setor espera maior utilização no segundo semestre, mas o impacto sobre a oferta será lento: projetos imobiliários levam de cinco a sete anos entre concepção e entrega.
No curto prazo, a queda nos recursos da poupança e o maior uso de instrumentos de mercado como LCIs tendem a encarecer o funding e manter pressão sobre os preços. A intenção de compra é recorde. A oferta que corresponde a ela ainda não chegou.




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