"Não compro por causa dos juros" diagnóstico ou desculpa?
- ImobiToday

- 18 de jul.
- 3 min de leitura
O desemprego está na mínima histórica, o consórcio de imóveis cresceu 36% em 2025 e o Minha Casa, Minha Vida chegou à classe média. O cenário é melhor do que o discurso sugere e o obstáculo real talvez seja outro.

Você já disse ou já ouviu: não compro meu imóvel por causa dos juros. Ou por causa do governo. Ou porque a renda não dá. Em grandes números, essas frases descrevem algo real. Mas no plano individual, cabe a pergunta incômoda: é diagnóstico ou é desculpa?
O cenário que o discurso ignora
A taxa de desemprego no Brasil está em 5,6% a menor da série histórica iniciada em 2012. Desemprego, vale lembrar, é a variável que mais compromete o mercado imobiliário, muito mais do que a Selic. Quem tem emprego e horizonte de renda tem condições de planejar.
O brasileiro conta ainda com condições que poucos países oferecem: saúde pública e universidades gratuitas liberam espaço no orçamento que em outras culturas está comprometido com planos de saúde e mensalidades. O programa Minha Casa, Minha Vida chegou à Faixa 4, atendendo famílias com renda de até R$ 13 mil e financiando imóveis de até R$ 600 mil. E a alienação fiduciária deu segurança jurídica ao crédito imobiliário brasileiro, viabilizando financiamentos mais longos e mais baratos do que os de décadas anteriores.
O problema que não está na Selic
O dado mais revelador não vem do Banco Central. Vem da 9ª edição do Raio X do Investidor Brasileiro, da Anbima com o Datafolha: apenas 33% dos brasileiros conseguiram poupar em 2025. Quase um terço da população não tem nenhuma reserva para imprevistos. E entre quem poupa, apenas 7% destinam o dinheiro à compra de um imóvel.
O sonho da casa própria segue vivo no discurso, mas quase não aparece no orçamento. O problema menos discutido não está na taxa de juros está na ausência de uma cultura de poupança de longo prazo. Décadas de inflação alta ensinaram o brasileiro a gastar rápido, porque guardar era punido. A inflação foi domada há trinta anos. O reflexo, não.
Há um sinal de mudança: a parcela que separa parte do salário todo mês dobrou em cinco anos, de 11% para 20%.
Os caminhos que já funcionam para milhões
Em plena Selic elevada, o consórcio de imóveis registrou 1,35 milhão de adesões em 2025 crescimento de 36% sobre o ano anterior, respondendo por mais da metade de todo o crédito contratado no sistema. Milhões de brasileiros escolheram, voluntariamente, um mecanismo de poupança forçada.
Há outros caminhos. O imóvel na planta funciona como disciplina de poupança durante a obra não precisa ser o imóvel definitivo, pode ser o que, vendido ou alugado depois, financia o próximo passo. O imóvel para renda de locação transforma o aluguel, tantas vezes tratado como vilão, em aliado do comprador paciente. O FGTS pode compor a entrada ou amortizar o saldo devedor. E para quem teme os juros de hoje, existe a portabilidade do financiamento: compra-se o imóvel no preço de hoje e renegocia-se a taxa quando o ciclo mudar ninguém financia por seis meses de Selic, e sim por vinte ou trinta anos.
Nada disso significa que as barreiras estruturais sejam invenção. Para muitas famílias, elas são reais e pesadas. Mas entre o cenário e a decisão individual existe um espaço que só cada um controla. A pergunta honesta talvez não seja se o país permite que você compre seu imóvel. Talvez seja: do que você está disposto a abrir mão no dia a dia para chegar lá?




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