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Mercado imobiliário o que esperar de 2026 e 2027

  • Foto do escritor: ImobiToday
    ImobiToday
  • 6 de jul.
  • 3 min de leitura

No Construsummit, executivos da Caixa, CBIC, ABECIP e ABRAMAT projetam crescimento de 28% no crédito imobiliário em 2026 e apontam Selic, reforma tributária e funding como as variáveis que definirão o próximo ano.



O mercado imobiliário brasileiro encaminha 2026 como um dos melhores anos recentes para o crédito habitacional, mas os líderes do setor já calibram expectativas para 2027 com mais cautela. No Construsummit, realizado em Florianópolis, representantes da Caixa Econômica Federal, CBIC, ABECIP e ABRAMAT confirmaram o aquecimento do curto prazo e detalharam os riscos que podem frear o ciclo: Selic elevada, escassez de mão de obra, complexidade tributária e a transição de funding da poupança para instrumentos de mercado.


Caixa projeta recorde R$ 250 bilhões em 2026


Raul Gomes, da Superintendência Nacional de Habitação Pessoa Jurídica da Caixa, disse que o banco deve superar R$ 250 bilhões em crédito imobiliário este ano o maior volume de sua história. No primeiro trimestre, a Caixa registrou crescimento de 30% ante igual período de 2025. Segundo Gomes, três mudanças recentes reforçaram o papel do banco no setor: a criação de uma faixa voltada à classe média no Minha Casa Minha Vida, a entrada do Fundo Social do Pré-Sal no funding do programa e o lançamento do Casa Reforma Brasil, voltado a melhorias habitacionais em larga escala.


Crédito cresce 28%, mas atividade real avança só 1%


Filipe Pontual, diretor-executivo da ABECIP, projeta crescimento de 28% no crédito imobiliário total em 2026 com alta de 15% no SBPE e 35% no FGTS. Apesar disso, o ritmo da atividade real é bem mais modesto: a CBIC estima crescimento de apenas 1% na construção, e a ABRAMAT projeta avanço equivalente na produção de materiais. O contraste entre crédito em expansão acelerada e construção praticamente estagnada foi o ponto central do debate: o mercado segue aquecido no papel, mas ainda distante de um ciclo disseminado de expansão.


Reforma tributária entra na lista de riscos estruturais


Pela primeira vez em pesquisas recentes da CBIC com a CNI, a questão tributária apareceu à frente de outros problemas enfrentados pelas empresas, superando juros e mão de obra em algumas rodadas. Fernando Guedes Ferreira Filho, presidente-executivo da CBIC, alertou que a entrada em vigor da reforma tributária em 2027 impõe novo desafio de precificação para construtoras e incorporadoras. Ele também chamou atenção para a pressão recorrente sobre o FGTS, frequentemente alvo de propostas para financiar outras políticas públicas o que coloca em risco a sustentabilidade do principal funding do setor popular.


Poupança perde protagonismo, mercado de capitais avança


Pontual foi direto: o crédito imobiliário brasileiro equivale hoje a 10,5% a 11% do PIB, distante de economias comparáveis, e a poupança já não sustenta a expansão do setor. LCI, LIG, CRI e FIDC ganham peso como fontes alternativas de funding, mas a velocidade dessa transição depende de queda da Selic. Mauro Franco, da ABRAMAT, identificou o gargalo principal: não é tecnológico, mas regulatório, tributário e cultural.


2026 está garantido pelo MCMV e pelo FGTS são fontes que não oscilam com os juros e têm orçamento plurianual aprovado até 2028. O que define 2027 é outro: queda da Selic, consolidação do novo funding de mercado e uma reforma tributária que não encareça demais a produção. Sem esses três elementos alinhados, o setor pode repetir o padrão deste ano crédito forte, construção morna, e médio padrão espremido no meio.

 
 
 

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