Mercado imobiliário mira os 54 milhões de brasileiros acima de 50 anos
- ImobiToday

- 22 de jun.
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Levantamento da Brain Inteligência Estratégica com a Caio Calfat Real Estate Consulting mostra que 37% dos brasileiros maduros têm interesse em moradias adaptadas à longevidade mas o país tem déficit de até 1,2 milhão de unidades do tipo.

Depois de décadas de projetos pensados para famílias com filhos pequenos, incorporadoras brasileiras começam a desenhar apartamentos, condomínios e serviços voltados a quem tem 50, 60 ou 70 anos. O movimento segue o conceito de aging in place: envelhecer na própria casa, com autonomia e suporte adequado. Famílias menores, mais divórcios e maior expectativa de vida ampliam esse público hoje 54 milhões de pessoas, que movimentam cerca de R$ 1,8 trilhão por ano.
Autonomia pesa tanto quanto metragem
Nos projetos para longevidade, a proximidade de hospitais, farmácias, parques e comércio passa a valer tanto quanto a área privativa. Escadas dão lugar a ambientes integrados, e às áreas de lazer tradicionais somam-se sensores de monitoramento, detecção de queda e espaços de estímulo cognitivo. Para Norton Mello, engenheiro civil especializado no segmento, reduzir esse mercado a barras de apoio e corredores largos é um erro: o objetivo é que a pessoa precise de menos cuidados por mais tempo.
Demanda existe, mas o preço trava o acesso
O levantamento da Brain Inteligência Estratégica com a Caio Calfat Real Estate Consulting mostra que 37% dos entrevistados têm interesse em morar ou investir em empreendimentos para o público maduro. A saúde é a principal preocupação para metade deles, 26% citam a dependência de cuidadores e só 12% cogitam instituições especializadas. O obstáculo é financeiro: segundo Mello, entre 1% e 4% dos brasileiros têm hoje condições de trocar a moradia atual por um imóvel planejado para a longevidade.
Unidades custam até 40% mais
Os diferenciais de área comum, tecnologia e serviços elevam o metro quadrado entre 20% e 40% sobre imóveis de padrão semelhante na mesma região. Mello estima déficit de 600 mil a 1,2 milhão de moradias para longevidade no país, sendo mais de 250 mil só na cidade e região metropolitana de São Paulo. O financiamento soma outra barreira: bancos reduzem prazos para compradores acima de 50 anos por exigência do seguro habitacional obrigatório, que costuma limitar a soma entre idade e prazo do contrato a 80 anos e seis meses.
Brasil ainda está atrás dos mercados maduros
São Paulo, Curitiba e Porto Alegre lideram a expansão desses projetos no país, com opções que vão de compactos tecnológicos a unidades de luxo integradas a centros de saúde. Ainda assim, o Brasil está distante de Estados Unidos, Canadá, Austrália e parte da Europa, onde empreendimentos para o público maduro já fazem parte da paisagem urbana. Daline Moura Hällbom, CEO da Söderhem, resume o estágio local: falta diferenciar moradia independente de instituição de cuidado, para uma população ativa e saudável que não quer ser tratada como idosa.
O gargalo não é falta de interesse é preço e crédito. Com um terço do público maduro disposto a pagar por moradias adaptadas e um déficit que passa de meio milhão de unidades, o espaço para crescer existe. Quem resolver primeiro a equação custo-localização-financiamento vai capturar uma demanda que hoje fica represada por falta de oferta compatível com o bolso.




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