Imóveis na planta ficaram 10% mais caros em 12 meses, acima do custo da construção
- ImobiToday

- 2 de jul.
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Levantamento inédito do Radar da Construção (Sienge, OLX, CV CRM e Nomad) mostra que incorporadoras repassaram mais do que o INCC ao comprador final mas a demanda ainda está concentrada nas fases iniciais da jornada de compra.

Incorporadoras e construtoras conseguiram repassar os custos crescentes ao preço dos imóveis novos em 2026 os lançamentos acumularam alta de 10,06% em 12 meses, acima do Índice Nacional de Custo da Construção (INCC), que avançou 6,17% no mesmo período. O dado vem do Radar da Construção, primeiro panorama estratégico do setor elaborado em conjunto por Sienge, OLX, CV CRM e Nomad. No agregado, o resultado indica que as empresas protegeram margem mas o cenário está longe de ser homogêneo entre cidades e segmentos.
Custo real não é custo médio o erro de usar só o INCC
A disparidade entre insumos expõe um risco que o INCC não captura. Nos 12 meses encerrados em maio, o fio de cobre subiu 30,72% e o cimento avançou 14,96%, enquanto aço e argamassa recuaram 0,63% e 2,30%, respectivamente. A mão de obra subiu cerca de 9%. Gabriela Torres, gerente executiva de Dados do Sienge, resume: tratar custo como inflação média faz a empresa subdimensionar o impacto do insumo que realmente está encarecendo a obra o que ficou claro no ciclo do fio de cobre.
Valorização concentrada no Rio e no Nordeste
O Índice de Lançamentos Imobiliários (ILI) DataZAP revela concentração regional acentuada. O Rio de Janeiro lidera com alta de 68,51% em 12 meses e preço médio de R$ 19.445/m². Fortaleza registrou 52,73% e Florianópolis, 26,13%. Em São Paulo, os preços ficaram praticamente estáveis no período o que coloca a capital paulista, maior mercado do país em volume, em posição diferente das praças que lideraram a valorização.
Demanda ainda está no começo da jornada
O Anuário DataZAP revela que 82% dos interessados em imóveis estão nas fases de descoberta ou busca ativa, enquanto apenas 11% negociam e 6% estão próximos de fechar. Mais relevante: 91% dos consumidores consideram imóveis usados durante o processo, contra apenas 16% que avaliam lançamentos na planta. Isso obriga os novos empreendimentos a justificar com clareza a diferença de preço por localização, projeto, tecnologia ou potencial de valorização, sem o que o comprador migra para o mercado de segunda mão.
A Selic em 14,25% ao ano define quem sofre mais. O médio padrão absorve o peso do crédito caro porque não conta com subsídio e depende dos bancos. O segmento econômico segue protegido pelo Minha Casa Minha Vida. O alto padrão opera com menos dependência de financiamento. O repasse de 10% nos lançamentos compra fôlego para as construtoras, mas não resolve a equação: enquanto o custo de capital permanecer nesse nível, o crescimento do setor em 2026 vai continuar sendo puxado pelas pontas e o meio vai continuar espremido.




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