IA no Mercado Imobiliário, a Pergunta não é Se o Corretor Vai Ser Substituído, mas Quem Vai Sobrar
- ImobiTimes

- 28 de jul.
- 3 min de leitura
Cerca de 40% dos brasileiros que buscam imóveis já usam inteligência artificial na jornada de compra ou locação, segundo o DataZAP. A tecnologia não elimina o profissional ela expõe quem agrega valor e quem apenas repassa informação.

Toda vez que uma nova tecnologia chega ao mercado imobiliário, a mesma pergunta se repete: o corretor será substituído? Não começou com a inteligência artificial. A discussão apareceu com os portais de imóveis, com os CRMs, com os aplicativos de mensagem, com as visitas virtuais. A tecnologia muda processos. Não elimina a orientação qualificada em uma das decisões mais importantes emocionais e financeiras da vida de qualquer pessoa.
A diferença agora é escala. A IA não organiza anúncios nem apenas automatiza tarefas. Ela interpreta comportamentos, identifica padrões de busca, apoia recomendações mais aderentes ao perfil do cliente e antecipa momentos de decisão.
Como a jornada mudou
Pesquisas que realizamos com compradores, vendedores, corretores e consumidores que "namoram" imóveis na internet mostram um padrão claro. A jornada começa de forma emocional o comprador procura um imóvel que represente seus desejos, suas aspirações, o estilo de vida que quer ter. Ao longo da pesquisa, ele compara opções, entende preços, conhece as condições de financiamento e começa a ajustar expectativas à realidade financeira. A tecnologia não apenas facilita essa busca. Ela transforma uma escolha inicialmente emocional em uma decisão mais consciente e possível.
Esse processo pode mudar tudo: a tipologia do imóvel, o tamanho, o padrão, a localização. E isso afeta diretamente como o corretor deve trabalhar. Em vez de esperar a manifestação formal de interesse, o profissional passa a operar com sinais tipo de imóvel pesquisado, frequência de interação, faixa de preço, momento de vida, possíveis objeções. A lógica da intermediação muda: de reativa para orientada por dados.
Os números reforçam essa mudança. Segundo o DataZAP, braço de inteligência imobiliária do Grupo OLX, 40% dos brasileiros em busca de imóvel já utilizam recursos de IA na jornada. Nos Estados Unidos, pesquisa da National Association of Realtors aponta que 46% dos corretores já usam conteúdo gerado por IA e 42% utilizam ferramentas de IA diariamente ou semanalmente. No Brasil, levantamento da Brain Inteligência Estratégica mostra que 19% das empresas do setor imobiliário já adotaram alguma ferramenta de IA e entre elas, 71% perceberam impactos positivos em eficiência, precisão e desempenho comercial.
O desafio não é tecnológico
A Brain também aponta que 49% dos brasileiros declaram intenção de comprar um imóvel em 2026, enquanto apenas 9% das famílias efetivamente compraram nos 12 meses anteriores. Entre os jovens da Geração Z, a intenção chega a 59%. Existe demanda o que falta é conversão. O problema está em confiança, crédito, timing e na distância entre desejo e realidade.
É exatamente nesse espaço que a tecnologia pode ser mais relevante. A IA organiza o funil, qualifica contatos, produz análises, apoia a comunicação e reduz tarefas repetitivas. Mas não substitui a escuta, a negociação, o conhecimento local, a segurança jurídica e a capacidade de traduzir uma decisão complexa para uma família, um investidor ou um proprietário.
Na RE/MAX Brasil, disponibilizamos o Gemini, via Workspace, para os corretores da rede. Não como solução definitiva, mas como forma de colocar a IA dentro do ambiente de trabalho do corretor e estimular uma cultura de produtividade, aprendizado e uso responsável. Essa visão dialoga com o movimento anunciado entre RE/MAX Holdings e The Real Brokerage a combinação de uma marca com presença internacional e força de rede com uma empresa nativamente tecnológica aponta para onde o setor vai: escala, dados, automação e experiência do cliente caminhando juntos.
Quem vai sobrar
Ainda assim, é importante evitar a leitura simplista. O futuro do setor não será definido por quem usa IA para responder mais rápido ou criar descrições de imóveis em segundos. Isso será o básico. A diferença estará em quem conseguir combinar dados, reputação, presença local e capacidade consultiva para entregar uma experiência mais segura, transparente e eficiente.
O imóvel não é uma compra por impulso. Envolve crédito, patrimônio, família, localização, expectativa de valorização e o projeto de uma vida. A IA pode indicar caminhos e ampliar a capacidade de análise. Mas alguém precisa fazer as perguntas certas, interpretar as respostas e assumir responsabilidade pela orientação dada.
Por isso, a discussão mais importante não é se a IA vai substituir o corretor. É quais corretores estarão preparados para trabalhar com ela. No mercado imobiliário que está se formando, a tecnologia não elimina o profissional ela expõe quem agrega valor e quem apenas intermedia informação.




Comentários