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31% dos Interessados em Imóvel Popular Não Têm Entrada, e Quem Tem Dispõe de Apenas 1,3% do Preço

Foto do escritor: ImobiTimes
ImobiTimes
há 3 dias
2 min de leitura

Simulações da Morada.ai revelam que a mediana dos recursos disponíveis para entrada equivale a R$ 3.874 em imóveis que custam, em média, R$ 298 mil.



Um levantamento da plataforma Morada.ai com dados de simulações de financiamento expõe o tamanho da barreira de entrada no mercado popular: 31% dos interessados chegam à simulação sem nenhum recurso inicial. Entre os que têm algum valor guardado, a mediana representa apenas 1,3% do preço do imóvel enquanto o Minha Casa, Minha Vida com a Caixa costuma exigir 20% de entrada. Apenas 3,1% dos compradores conseguem reunir esse patamar. O preço médio da unidade pesquisada é de R$ 298 mil, o equivalente a 5,7 anos da renda do comprador sem contar juros.


Em São Paulo, 21,7% chegam sem entrada abaixo da média nacional


Na capital paulista, o cenário é ligeiramente menos grave, mas ainda crítico. A entrada mediana sobe para 1,8% de um imóvel de R$ 316 mil cerca de R$ 5.688, e 21,7% dos interessados chegam à simulação sem qualquer recurso, abaixo dos 31% registrados na média nacional. A diferença reflete uma base de renda um pouco mais elevada em São Paulo, mas não altera a conclusão central: a esmagadora maioria do público de imóveis populares não tem condições de fechar a entrada pelos critérios tradicionais de financiamento.


Pró-soluto fecha a diferença, mas pressiona o orçamento durante a obra


Para viabilizar as vendas, incorporadoras financiam diretamente parte da entrada por meio do pró-soluto um crédito concedido pela própria empresa, sem a garantia do imóvel. O risco é maior do que no crédito bancário, o que leva as companhias a preferir receber o máximo possível antes da entrega das chaves, quando a inadimplência tende a aumentar. O cliente, por sua vez, precisa conciliar os pagamentos do pró-soluto com as demais parcelas durante todo o período de obra.


Tenda reduziu pró-soluto pós-chave de 10% para 7% após inadimplência elevada


A Tenda ilustra o movimento do setor. A companhia baixou o patamar de pró-soluto pós-chave de 10% para 7%, o que contribuiu para uma queda de 4,4% no preço médio da unidade vendida no terceiro trimestre, para R$ 231,2 mil. O Itaú BBA também associou a mudança a novas exigências de crédito da Caixa. Os subsídios do MCMV e de programas estaduais amenizam parte do problema chegam a R$ 55 mil nas regiões Sul, Sudeste, Centro-Oeste e Nordeste, e a R$ 65 mil no Norte, mas se concentram nas menores faixas de renda e não cobrem todo o público do segmento popular.


Geração Z tem entrada: só 3% guardam R$ 100 mil ou mais


A pesquisa da Brain Inteligência Estratégica para a Abrainc, feita com pessoas de renda acima de R$ 2,5 mil mensais, detalha a diferença geracional na capacidade de poupança: apenas 3% da geração Z têm R$ 100 mil ou mais disponíveis para entrada. A proporção sobe para 18% entre millennials, 33% na geração X e 40% entre baby boomers. Para quem está fora desses percentuais, a jornada de compra depende de combinações entre poupança acumulada ao longo do tempo, apoio familiar, venda de bens ou crédito complementar e não raro, de esperar vários anos antes de conseguir fechar o negócio.

 
 
 

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